Baudelaire & Benjamin - Os precursores dos Blogs de Streetstyle


Todo mundo acha o má-xi-mooooo essa história dos blogs de streetstyle e de gente normal na rua vestindo roupas inusitadas, como se o movimento do bubble up da Moda fosse uma novidade extraordinária do século XXI, porém essa história de inspiração nas ruas já vem de looooonga data.

Baudelaire, ainda no século XIX já se maravilhava com o fervor da Moda na vida citadina Européia, bem como Walter Benjamin, que dedicou diversas frases e textos para falar de Paris: a capital do século XIX. A paixão dos dois era ver  o que rolava nas ruas, nas passagens, nas lojas de departamentos, nos boulevards, no ir e vir de tanta gente desconhecida, na verve boêmia e nos costumes dos cidadãos. Na observação do cotidiano tão efervescente, ambos prestavam a maior atenção no jeito de vestir dos seus contemporâneos, tratando de descrever em seus textos tu-di-nho que viam.

Quer saber? Acho que se Baudelaire e Benjamin vivessem nos dias de hoje, eles seriam os blogueiros de streetstyle mais badalados do mundo, batendo até mesmo Scott Schuman do The Sartorialist, bem como toda a miríade de blogs do segmento.

O assunto é velho... só tem uma roupagem nova com o mundo digital.

A moda feita pra escrever




Roland Barthes tinha mais do que razão quando, nos idos dos 60´s, já dizia que o encanto da Moda era produzido muito mais pelas palavras do que pelas roupas em si. Ele, tão certo disso, entrou numa jornada sem fim em busca do sistema da Moda, onde provava por A+B que as palavrinhas mágicas das revistas e jornais eram as responsáveis pelo fascínio da Moda.

Quase ninguém entendeu seu método e suas explanacoes, mas não precisamos de muito suor intelectual para concordar que mais do que nunca (oooops, citação a la Faustao!) a Moda é mais geradora de palavras do que de tendências.

Vejam as semanas de Moda, para que servem prioritariamente? Serve para os jornalistas e para a mídia, que vai a polvorosa cobrir cada pedacinho do circo montado. Nada contra, peloamor! Só é uma constatação...

Ali é ver pra fotografar, escrever, falar, burburinhar e virar DISCURSO por 2 semanas no má-xi-mo. Depois resta só um espacinho de sobrevivência, quando as revistas especiais aparecem nas bancas e esticam o interesse por  mais... 1 semana.
Depois resta o limbo do esquecimento.
Finito.
E corre pro próximo.

Interessante com isso é ver que a matéria (roupa) se transforma em texto, em imagem e em consumo do verbal e do visual. Enquanto pouquíssimos consomem as roupas, uma miríade fica à espreita do resto. De posse dos textos e das imagens, a massa se sacia de Moda.

É a satisfação pela via da informação.

Enquanto isso, continuamos aqui, a escrever, escrever e escrever.

Quem disse que não dá para falar difícil quando o assunto é moda?

Já estou cansada de ver por todo canto, principalmente no ciberespaço, aquelas conversinhas basiquinhas sobre Moda. Vemos sempre o óbvio, com textos que chegam até a enjoar numa rapidez impressionante. Como não me contento em sapear apenas estes discursos repetitivos, se bem que não vou dizer que não os leio, recorro também aos livros, e não é que achei uma frase que vale a pena citar, para mostrar como é possível falar de moda de um jeito difícil, quase indecifrável pro nosso Fashion World.

Fal0 de um texto de Lineide Salvador Mosca, a também tradutora do livro O Sistema da Moda de Roland Barthes. O artigo por ela escrito e entitulado "Moda: expressão de identidade cultural" publicado no livro Língua Portuguesa - Pesquisa e Ensino, é recheado de formulações complexas, que valem a pena serem citadas, para se mostrar que Moda não é coisa só de escrita fácil ou floreada com plumas e paetês, não é só o celeiro do ÓBVIO, mas também do OBTUSO. Olhem só a frase:

"Não concordamos, portanto, com aqueles que afirmam que a moda não diz nada: partindo de um estado de percepção exteroceptivo, dá-se a elaboração de estados cognitivos, que integram o interoceptivo num processo de proprioceptividade em que entram as timias, ou seja, os elementos eufóricos ou disfóricos decorrentes dessa apropriação"(p.189 e 190)

Viram como a moda pode dizer muita coisa nas palavras de Lineide? E se foi difícil de entender, vou tentar uma interpretação do texto:

Não se pode dizer que a moda é vazia, que não diz nada. Nós a recebemos por estímulos exteriores e por meio destes estímulos acabamos formando um conhecimento do assunto, que também integra aquilo que está no nosso interior, ou melhor, o que é de natureza mais profunda, formando um sistema completo, que faz com que reconheçamos a localização espacial do corpo. Nesta relação de interior e exterior, são incluídos tons emocionais básicos do ser humano, ou seja, o que nos dá um bem estar inigualável e também o que traz um mal estar incomparável, ambos decorrentes desse movimento da Moda.

Existem mil maneiras de se falar sobre Moda. Melhor ainda é quando esse discurso nos faz pensar pra valer.

A foto de Moda é a morte da morte?


Tanto tenho lido e ouvido falar de como a fotografia é a presença irrevogável da morte: é a captura do instante que não mais existe, é o congelamento de algo que passou, enfim, é a morte em sua mais firme certeza de deixar as coisas resguardadas no tempo passado.

E aí me indago sobre a foto de Moda: se já estamos no âmbito da morte quando falamos de foto, então o que seria da captura da moda, essa coisa perecível, passageira e evanescente? Capturar qualquer imagem de moda seria sair de seu mais puro sentido de movimento e entrar no campo estático do registro histórico?

Quando passamos da atividade dinâmica da moda para o congelamento da fotografia, estamos entrando num campo que não necessariamente está ligado ao efêmero próprio da moda? Creio que sim, mas isso abre possibilidade para outras tantas palavras. Dê uma pensada no assunto e pode comentar a vontade!

Work & Smile

Finalizando minha passada pela Carnaby Street, dou de cara com a Beak Street e com essa janela de escritório.

Ótima palavra escolhida para pendurar no vidro, não é?

Se bem que trabalhar sorrindo não é tão fácil assim, mas quando se trabalha com moda ou design, a alegria e o prazer com o que se faz vem mais fácil. Certamente!

Liberty - uma história de Moda & Art Nouveau

No caminho entre Oxford Circus e Carnaby Street está a Regent Street - o endereço da Liberty, uma das lojas de departamentos mais tradicionais do mundo, e que tem MUITA história pra contar.

Fundada em 1875 por Arthur Lazenby Liberty, a loja que leva seu sobrenome foi criada como uma forma de empório de produtos importados da Índia, e sua especialidade eram tecidos lindíssimos e exclusivos. Aliás, não é nada estranho o nome Liberty quando pensamos em tecidos. Quando vemos aqueles tecidos finos cheios de florzinhas delicadas e minúsculas, logo chamamos de Liberty, não é mesmo?

Mas Liberty vai muito além disso. A história do estilo da Liberty é tão rica que, em alguns países, como é o caso da Itália, ele é o sinônimo da Art Nouveau como um todo, tamanha a importância da loja, dos seus tecidos e das estampas exclusivas da casa. Aliás, caminhar pela loja é mesmo uma experiência de Art Nouveau, com todos aqueles motivos rebuscados e fantásticos. E olha que já se passaram muitos anos e estilos por aí.

Se quisesse escrever nesse post tudo sobre a Liberty e sua influência na Moda e no design em geral, deixaria todo mundo que acompanha o Blog cansadér-rrrrimo, então, para os interessados, sugiro uma lista de sites legais:

http://www.liberty.co.uk/
http://www.fashionencyclopedia.com/Le-Ma/Liberty-of-London.html
http://www.victorianweb.org/art/design/liberty/mariotti10.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Liberty_&_Co.

...E para quem for mais audacioso, o desafio é encontrar, em algum lugar desse mundão, o livro escrito pelo celebrado historiador de moda James Laver: "The Liberty Story". Como a edição é de 1959, já virou raridade.

E se alguém encontrar me avise, please!

Muvuca fashion próxima de Carnaby

Nem só do Newburgh Quarter, e todo seu ar único e independente, vive a região de Carnaby. Tem espaço pra tudo, inclusive pra lojas super comerciais e ultra lotadas de gente garimpando pechinchas.

Na Oxford Circus, que fica bem pertinho de Carnaby, encontramos um mar de lojas que apinham gente até não dar mais, como é o caso da Topshop.

Até tentei dar aquela famosa "olhadinha" no que tinha por lá, mas era tanta muvuca, que preferi só tirar uma foto descompromissada.

Sorry you missed the 60's

Peguei uma fase ótima na região de Carnaby. Além da recém inaugurada Ressurection que já falei abteriormente e da Galeria temporária da London College of Fashion, dei de cara com uma exposição que tem tudo a ver com minha paixão por Carnaby: Sorry, you missed the 60's.

Com esse nome completamente sugestivo o fotógrafo Philip Townsend mostra uma série de fotos inesquecíveis, com clicks que vão desde Twiggy , até os Stones, os Beatles e mais uma série de moderninhos que povoavam a Carnaby Street nos anos 60.

Nem preciso dizer que amei. E comprei um livro autografado pelo fotógrafo... Quadrinho cumprido.

Newburgh Quarter

O Newburgh Quarter é o point que ainda matém todo o espírito independente e diferenciado de Carnaby. Nesse quarteirão está o conglomerado de lojas independentes, sem aquele ar comercial, com produtos exclusivos e super interessantes. Tudo lá é único, excêntrico e sai completamente fora do que vemos pela mídia. Dá pra inspirar qualquer um e despertar aquela vontade de montar uma lojinha moderninha por lá.

Anna Lou of London

Essa loja é fofíssima, simplesmente apaixonante. É mais para Teens, mas toda mulher que passou dos 20 e poucos, ainda continua tendo uma menina escondidinha lá dentro, não é mesmo?

Visite o site para se deliciar:
http://www.annalouoflondon.com/

A Ressurection da Bolongaro Trevor

A Bolongaro Trevor é uma marca conhecida de longa data pelos ingleses, que tem no comando Kait Bolongaro e Stuart Trevor, e que veste moderninhos como a modelo Agyness Deyn, a patricinha e apresentadora de reality show Peaches Geldof e a Sra. Kurt Cobain -
Courtney Love.

Esse ano a marca resolveu inovar e abriu uma loja bem diferenciada na região de Carnaby - a Ressurection. O conceito é muito legal: eles juntaram roupas e acessórios raríssimos dos tempos Vitorianos, uniformes da era Napoleônica, peças Vintage da coleção própria de Kait e Stuart, arte renascentista, esculturas contemporâneas e, o mais engraçado: um monte de animais no mais alto estilo de Taxidermia (técnica de empalhar animais) dos séculos XIX e XX.

Tudo isso misturado em um só lugar. É o máximo!

Se fosse vivo, Alfred Hitchcock iria amar a loja, afinal o diretor era fã tanto de Taxidermia quanto de roupas tradicionais e impecáveis. Talvez essa mistura excêntrica é coisa de inglês.

Sale a la Roy Lichtenstein

Amei essa vitrine de liquidação a la Roy Lichtenstein.

Está mais que adequada para Carnaby Street e seu passado tão sixties...

E por falar em Roy Lichtenstein, vale a pena ler mais sobre esse artista, afinal tem muita coisa interessante no seu trabalho.

Quem quiser bisbilhotar, passa aqui:
http://www.lichtensteinfoundation.org/

The Spirit of Soho mural

Essa obra na fachada de um dos edifícios de Carnaby Street, ilustra o espírito do Soho Londrino em seu mais alto estilo.

O Soho na verdade é um bairro que fica bem no centro da região de West End, área que inspirou o Pet Shop Boys na música West End Girls.

O mural foi criado em 1991 e mostra um pouco da história do bairro mais boêmio e badalado de West End. Lá no alto da pintura tem uma mulher de braços abertos, acharam? Pois é, essa é a Saint Anne (Santana), que recebe calorosamente todos os outros ilustres que estão ali representados. Percebam que ela está com uma saia super ampla e bem no "tecido" da saia está o mapa do Soho, e outras representações dos artesãos que foram tão importantes nos séculos passados.

Pra uma rua de moda, nada melhor que estampar a história numa saia, não é?